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Utilização do calcário dolomítico como fonte de magnésio na nutrição animal

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Qual é a função do magnésio nas plantas?

A nutrição animal depende de minerais essenciais para garantir saúde, desempenho e produtividade. Entre esses minerais, o cálcio (Ca) e o magnésio (Mg) têm papéis centrais: o cálcio é importante para ossos, cascos e funcionamento metabólico geral, enquanto o magnésio atua como cofator em muitas reações bioquímicas, influencia o metabolismo energético, função nervosa e contribui para o bom desenvolvimento animal.

O calcário dolomítico, que combina carbonato de cálcio (CaCO₃) com carbonato de magnésio (MgCO₃), oferece uma dupla vantagem: além de corrigir a acidez quando aplicado no solo, ele pode funcionar como fonte suplementar de magnésio e cálcio para animais, especialmente quando as forragens ou pastagens apresentam deficiência desses minerais.

Benefícios do magnésio na dieta animal

  1. Metabolismo enzimático
    O magnésio participa de centenas de enzimas no organismo animal, sendo essencial para digestão, síntese de proteínas e produção de energia. Em bovinos, por exemplo, a deficiência de Mg pode resultar em menor eficiência alimentar e perda de ganho de peso. Estudos da Embrapa e de universidades brasileiras confirmam que pastagens corrigidas com calcário dolomítico têm níveis de Mg maiores na forragem, refletindo em melhor desempenho do rebanho. (Fonte: Embrapa, 2023)
  2. Equilíbrio nervoso e muscular
    O Mg é necessário para condução nervosa adequada e contração muscular, prevenindo distúrbios como cãibras e tetania. Em sistemas de produção intensiva ou em fases de stress (mudanças de temperatura, transporte, reprodução), animais com deficiência de magnésio tendem a apresentar debilidades musculares ou nervosas.
  3. Suporte ósseo e estrutura física
    Junto com o cálcio, o magnésio ajuda a manter os ossos fortes, cascos saudáveis e integridade estrutural do animal. Em regimes de produção onde se espera longevidade ou alto desempenho físico (por exemplo, vacas leiteiras, animais de corte), esse suporte estrutural é fundamental.
  4. Desempenho geral e eficiência alimentar
    A presença adequada de magnésio favorece melhor aproveitamento dos nutrientes fornecidos na ração ou forragem, aumenta a eficiência alimentar e pode reduzir a necessidade de aditivos ou suplementos externos, desde que o solo ou alimentação base já contenham níveis aceitáveis de Mg.

Quando o calcário dolomítico é recomendado

  • Análises de solo ou forragem que indiquem baixos níveis de magnésio: se as forragens ou solo mostrarem deficiência, o dolomítico é recomendado para reposição.
  • Fornecimento mineral insuficiente no volumoso ou pastagens: quando suplementos convencionais não suprirem a deficiência ou forem muito caros.
  • Manejo integrado de solo-alimentação: usar calcário dolomítico não como única estratégia, mas em conjunto com pastagens melhoradas, rotação, adubação correta e fornecimento de água de boa qualidade.

Cuidados ao usar calcário dolomítico em nutrição animal

  • Verificar granulometria e pureza: partículas muito grossas ou com impurezas podem retardar a absorção ou causar ineficiência.
  • Avaliar a relação Ca:Mg na dieta: excesso de cálcio pode antagonizar magnésio; equilíbrio é essencial para evitar problemas metabólicos.
  • Monitorar compatibilidade com outros nutrientes como fósforo, potássio, zinco e cobre, pois esses minerais interagem.
  • Garantir água limpa e em quantidade adequada, pois a absorção de minerais está muito ligada à hidratação.

Evidências recentes

Pesquisas recentes em universidades brasileiras trazem dados que reforçam o uso do calcário dolomítico:

  • Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV, 2023) comprovou que em pastagens de braquiária corrigidas com dolomítico, houve aumento significativo de Mg na forragem, refletindo em melhor conversão alimentar do gado.
  • Outra pesquisa de 2024 investigou dietas de vacas leiteiras em sistema de produção semi-intensivo e encontrou que suplementação mineral baseada em análise de solo + forragem reduziu em até 20% o uso de suplementos industriais de magnésio, quando o calcário dolomítico foi usado corretamente.
  • Estudo internacional recente (FAO, 2024) também reconhece que solos tropicais corrigidos corretamente com dolomítico reduzem perdas por deficiência mineral em animais e melhoram produtividade geral.

O calcário dolomítico é uma alternativa técnica e econômica para garantir níveis adequados de magnésio e cálcio na nutrição animal, especialmente em regiões e sistemas onde a forragem ou solo apresentam deficiências. Para obter os melhores resultados, é essencial que o uso seja embasado por análise de solo/forragem, que se observe granulometria, pureza, e se combine com boas práticas de manejo. Produtor que adota essas estratégias tende a ver reflexos positivos em saúde animal, desempenho produtivo e custos de suplementação.

Referências

  • EMBRAPA — “Nutrição Mineral Animal: níveis de magnésio em pastagens corrigidas” (2023).
  • Universidade Federal de Viçosa (UFV) — Estudo sobre correção do solo com dolomítico e desempenho de forragem em sistemas de pastejo (2023).
  • FAO (Food and Agriculture Organization) — Feed Mineral Supplementation and Animal Performance (2024).
  • Revista Ciência Animal Brasileira — “Efeito da suplementação mineral em vacas leiteiras com base em solo e forragem” (vol. 26, 2024).

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